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Uma maneira mais simples — e bem menos entediante — de compreender o funcionamento da obra maravilhosa da criação de Deus é por meio de livros e filmes romanceados. Aqueles que tratam do drama da existência humana de pessoas comuns, mas com o entrelaçamento silencioso das leis automáticas e autônomas do Universo — parafraseando, com os moldes do Espírito Santo, a lei de causa e efeito dominando o pano de fundo de cada cena.
Um desses romances de destaque chega até nós pela tela do cinema: o filme Amor Além da Vida (1998), estrelado por Robin Williams — ator que, curiosa e tristemente, veio a desencarnar movido pelos mesmos tormentos que o filme tratou: desencarne pelo suicídio.
Um tema delicado — e por isso, tão necessário
O tema central do filme é sensível, mas assombrosamente comum na vida da sociedade moderna: o suicídio.
Não vamos entrar em estatísticas ou justificativas. Mas vale uma reflexão: vivemos um dos maiores saltos de evolução tecnológica e econômica da história. Temos acesso ao conhecimento universal pela internet, a medicamentos cada vez mais acessíveis, a confortos que gerações anteriores jamais imaginaram. E ainda assim — por quê tantas pessoas chegam ao ponto de cometer essa violência contra si mesmas?
Porque nenhum desses avanços preenche o vazio da alma.
Somente a meditação, a prece e o contato genuíno com o Divino — muitas vezes acessado pelo exemplo de Jesus e de outros mestres — é que podem realmente minimizar as dores das tribulações terrenas. Drogas, sexo, viagens, fama e dinheiro foram e sempre serão apenas substitutos temporários. Não há outro caminho.
A sinopse — vista com olhos espíritas
Chris, médico dedicado e amoroso, parte deste plano em um acidente. Ao despertar, encontra-se numa realidade luminosa, construída pela própria vibração de sua alma — paisagens que parecem pinturas vivas, porque ali o pensamento molda o ambiente.
Mas a felicidade não é completa. Sua amada esposa, Annie, fica para trás, esmagada pela dor de ter perdido antes os dois filhos e, agora, o marido. Vencida pelo desespero, ela interrompe a própria caminhada terrena — e, em vez de reencontrar a luz, mergulha num lugar sombrio, frio, tecido inteiramente por sua própria angústia interior.
É aqui que o filme toca o sublime: Chris se recusa a aceitar a separação. Ele desce àquele território de trevas para buscá-la, dizendo, em essência: “Prefiro ficar perdido com você a estar salvo sem você.”
E é justamente o amor — paciente, persistente, que não desiste — que rompe a casca de dor de Annie e a reconduz à paz.
A mensagem central, tão cara à visão espírita, está ali: o sofrimento que se segue ao suicídio não é castigo divino, mas um estado transitório da alma — e dele se sai pelo amor, pela compreensão e pelo socorro dos que nos amam. A vida não termina, a dor não é eterna, e nenhuma alma é abandonada.
O que o filme revela — e a doutrina espírita confirma
Vários pontos que o filme traz à tona encontram correspondência clara na doutrina espírita e em outras tradições espiritualistas. Vejamos as principais correlações:
1. A multiplicidade das vidas terrenas No final do filme, duas crianças se encontram às margens de um lago — um encontro que, revelado nas últimas cenas, foi planejado pelos próprios espíritos no plano espiritual, antes de sua vinda à Terra. A reencarnação não como punição, mas como oportunidade amorosa de reencontro e continuidade.
2. O amor verdadeiro une as almas — e o desencarne não rompe esse laço Mesmo separados por abismos espirituais — Chris num plano de alegria, leveza e satisfação; Annie presa em planos de profunda tristeza e isolamento — o amor provou ser mais forte que qualquer ilusão temporária. Teve força para atravessar mundos e socorrer o espírito sofredor. Exatamente como a doutrina nos ensina: os laços de amor genuíno transcendem a morte.
3. A lei de ação e reação como lei universal Ao deixar que as circunstâncias terrenas — o luto, a separação, a dor acumulada — dominassem de forma demasiada sua mente, Annie permitiu que o desequilíbrio de seu espírito chegasse ao limite do suicídio. Mas a morte não funcionou como remédio. Ao contrário: multiplicou a sua responsabilidade. O desequilíbrio que ela já carregava tornou-se o próprio material de construção do lugar sombrio que habitou no astral. Foi, em termos simples, como atirar uma pedra com um estilingue — e ela voltar contra quem atirou.
4. As diferenças sutis entre o plano astral e o plano terreno O filme ilustra com beleza o que a doutrina espírita descreve: o plano terreno é mais denso, lento em suas transformações; o plano astral é plástico, moldável, e se altera conforme o pensamento, a vibração e a força de vontade do espírito. Essa mesma natureza do plano astral aparece com riqueza de detalhes no livro Nosso Lar, quando André Luiz experimenta os altos e baixos de sua adaptação ao mundo espiritual após o desencarne.
Uma obra que compensa assistir
Amor Além da Vida é um filme que compensa ser visto entre pessoas queridas — e de preferência, com o coração aberto para a conversa que ele naturalmente provoca.
Aviso: Não há qualquer interesse ou vínculo comercial na indicação desta obra. Para pessoas muito sensíveis ao tema, recomenda-se aguardar um momento emocionalmente mais preparado antes de assistir.
Veja o filme aqui: https://www.primevideo.com/-/pt/detail/Amor-Al%C3%A9m-da-Vida/0M2MDQDG849Y26ZQ31T7X1J145
Referências e indicações
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: Lei de Conservação, questões 943–957 — “Do Suicídio”. Paris: Dentu, 1857. Editora FEB (edição brasileira).
KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno: Segunda Parte — “Os Suicidas” (Exemplos). Paris: Dentu, 1865. Editora FEB (edição brasileira).
XAVIER, Francisco Cândido (médium). Nosso Lar, pelo Espírito André Luiz. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1944.
FRANCO, Divaldo Pereira (médium). Após a Tempestade, pela Espiritualidade (Joanna de Ângelis). Salvador: Livraria Espírita Alvorada, 1986.
PEREIRA, Yvonne do Amaral (médium). Memórias de um Suicida, pelo Espírito Camilo Cândido Botelho, sob orientação do Espírito Léon Denis. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1955. 27ª ed. — FEB Editora.
