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O Mundo Astral: Realidades da Vida Após a Morte

A Continuidade da Consciência

O mundo astral possui múltiplas esferas de existência. Quando despertamos pela manhã, descobrimos que somos exatamente os mesmos de antes de adormecer. Da mesma forma, quando nós e nossos entes queridos despertamos no plano astral após a morte, permanecemos essencialmente os mesmos. Geralmente, podemos aparecer mais jovens e livres de enfermidades, mas nossa essência permanece inalterada.

Como nos ensina Chico Xavier em “Nosso Lar”, a morte é apenas uma mudança de estado, não uma transformação mágica da personalidade. Não nos tornamos anjos automaticamente pela simples passagem da morte. Se somos espíritos elevados aqui, seremos elevados no astral. Se não desenvolvemos nossa espiritualidade em vida, permaneceremos com as mesmas limitações após a transição.

As Diferentes Regiões Astrais

Assim como existem paisagens belas e outras menos favoráveis em nosso mundo físico, o mesmo ocorre no plano astral. A região para onde cada alma se dirige após a morte corresponde diretamente ao tipo de vida que viveu: se foi uma existência boa e pura, ou se foi marcada por pensamentos e ações negativas.

Jesus referiu-se a essas diferentes regiões quando disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas” (João 14:2). O mundo astral é composto por diferentes dimensões ou vibrações. Cada alma que passa por essa transição é naturalmente atraída para a atmosfera que está em harmonia com sua própria vibração particular.

Como explica Paramahansa Yogananda em “Divine Romance”, assim como os peixes vivem no mar, os homens na terra e os pássaros no ar, as almas no mundo astral habitam a atmosfera que melhor se adequa à sua própria vibração espiritual. Quanto mais nobre e espiritualmente desenvolvida a pessoa, mais elevada será a esfera para a qual será atraída, e maior será sua liberdade, alegria e experiência de beleza.

As Zonas de Sofrimento: O Testemunho de André Luiz

Contudo, é fundamental compreender que a beleza e magnificência dos planos astrais dependem inteiramente do estado vibratório da pessoa. Para aqueles que desencarnam em condições espirituais desequilibradas, o mundo astral pode se manifestar como regiões de intenso sofrimento e consciência pesada.

Um exemplo marcante dessa realidade é o relato de André Luiz, espírito que ditou uma série de obras através de Chico Xavier. Médico em vida terrena, André Luiz desencarnou por suicídio involuntário (abuso do alcool) e, devido ao seu estado mental perturbado, foi atraído para as regiões umbralinas – zonas de sofrimento do plano astral.

Em “Nosso Lar” e “Os Mensageiros”, André Luiz descreve vividamente sua experiência nessas regiões inferiores: permaneceu por anos numa espécie de “lama astral”, experimentando saudade constante da família, fome e sede que não cessavam, frio intenso e uma dor de consciência quase insuportável. Mesmo sem o corpo físico, sua mente criava a sensação desses sofrimentos, pois seu perispírito (corpo astral) ainda estava impregnado das vibrações densas de sua partida traumática.

Essa experiência ilustra perfeitamente como o mundo astral reflete nosso estado interior. André Luiz só foi resgatado dessa condição quando sua vibração mental começou a se harmonizar com pensamentos de arrependimento, desejo de reparação e busca pela elevação espiritual.

A Natureza da Vida Astral

Os seres astrais não dependem de ar, alimento ou eletricidade para existir. Eles vivem em diversas regiões luminosas e coloridas. Há muito mais liberdade no mundo astral do que no mundo físico. Não existem limitações materiais, pois não há matéria densa como conhecemos. Tudo é composto de substância luminosa, e tudo responde ao poder do pensamento.

Quando as almas do mundo astral desejam criar um jardim, elas o mentalizam e o jardim surge. Ele permanece enquanto for sustentado pelo pensamento. Quando desejam que desapareça, ele simplesmente se dissolve.

O Poder Criativo da Mente no Astral

É importante compreender que essa capacidade criativa do pensamento no mundo astral funciona tanto para o bem quanto para experiências dolorosas. A mente desencarnada, livre das limitações do cérebro físico, torna-se ainda mais poderosa em materializar seus conteúdos psíquicos.

Por isso, aqueles que chegam ao astral com a mente perturbada, carregada de remorsos, vícios ou obsessões, criam ao seu redor ambientes que refletem esses estados internos. André Luiz, por exemplo, materializava constantemente a fome e a sede porque sua mente ainda estava presa aos automatismos e necessidades que sentia no momento da morte.

Essa é a razão pela qual o trabalho de purificação mental e elevação espiritual durante a vida física é tão fundamental. Como ensina Emmanuel, outro guia espiritual de Chico Xavier: “A morte não nos modifica a estrutura mental de um momento para outro”. Levamos conosco, para o mundo astral, exatamente aquilo que cultivamos em nosso íntimo durante a existência terrena.

A Quarta Dimensão e a Percepção Espiritual

Onde está o céu? A quarta dimensão é o plano da vida espiritual, que pode ser percebida apenas através do desenvolvimento da intuição – nosso sétimo sentido. Quando nossos sentimentos se tornam espiritualmente refinados, desenvolvemos a intuição e nos tornamos cada vez mais conscientes desse outro mundo.

Muitas pessoas imaginam que o mundo espiritual está distante, nos céus longínquos. Isso não é verdade. A quarta dimensão, o mundo astral, está logo além da vibração densa deste reino físico. Como ensina Yogananda, é uma questão de sintonização vibratória, não de distância física.

A Realidade das Experiências Espirituais

No plano astral, a vida não depende de ar, comida ou oxigênio. Isso não é fantasia da imaginação, mas realidade que pode ser experienciada por aqueles que desenvolvem espiritualmente sua percepção.

Grandes mestres como Trilanga Swami demonstraram essas verdades mesmo estando encarnados. Ele podia permanecer submerso no Ganges por dias e às vezes ficava debaixo d’água por várias horas. Quando compreendemos verdadeiramente a vida, sabemos que ela é muito mais do que apenas componentes físicos.

A Eternidade da Alma

Somos feitos dos pensamentos de Deus, substância que a morte não pode destruir. Você está percebendo apenas uma pequena parte da vida – não vê o início nem o fim. Não é razoável assumir que seres tão inteligentes e cheios de vida simplesmente cessem de existir com a morte física.

Todo ser humano é um agrupamento de pensamentos criativos e consciência divina, que a morte física não pode destruir. Como afirma Chico Xavier em suas obras psicografadas, somos espíritos eternos em experiência temporária na matéria.

Se a morte fosse o fim absoluto, não haveria propósito nos ensinamentos dos grandes mestres, nem valor nas escrituras sagradas. Por que os seres elevados nos encorajariam a nos tornarmos melhores se tudo terminasse com a morte do corpo? Não haveria justiça divina se a presente existência fosse tudo o que há para cada vida individual.

Reflexões Finais

A compreensão do mundo astral nos traz esperança e responsabilidade. Esperança porque sabemos que a vida continua além da morte física e que sempre existe a possibilidade de progresso espiritual, mesmo para aqueles que inicialmente se encontram nas regiões inferiores. O próprio André Luiz é prova disso: após seu período de sofrimento nas zonas umbralinas, foi resgatado e levado à colônia “Nosso Lar”, onde pôde se recuperar e retomar seu crescimento espiritual.

Responsabilidade porque entendemos que nossos pensamentos, sentimentos e ações determinam nosso destino pós-morte. Não existe acaso na localização astral de cada alma – existe a perfeita justiça da lei de afinidade vibratória.

Como nos ensina Chico Xavier, o desenvolvimento espiritual não é um luxo, mas uma necessidade urgente. É através do cultivo da pureza, do amor, da sabedoria e do autocontrole mental que preparamos nossa consciência para as experiências mais elevadas que nos aguardam no mundo astral.

A morte, portanto, não é um fim, mas uma graduação para uma forma mais ampla de existência. Para alguns, será uma libertação gloriosa em esferas de luz e beleza. Para outros, pode representar inicialmente um período de consciência dolorosa e reparação. Mas em todos os casos, é uma oportunidade contínua de aprendizado e evolução, pois a misericórdia divina oferece sempre novos caminhos para a redenção e o progresso espiritual.

Fontes: Nosso Lar, André Luiz / Chico Xavier, Divine Romance, Paramahansa Yogonanda, Os mensageiros, André Luiz / Chico Xavier, Bíblia

 

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